Os Estados Unidos, independentemente de quem esteja no poder, continuarão a ser um país imperialista e genocida. A agenda estadunidense, com suas nuances e variações, permanece focada em destruir, boicotar ou financiar regimes que atendam apenas aos seus interesses. Nesse contexto, tanto a candidatura de Donald Trump quanto a de Kamala Harris apresentam um dilema para a geopolítica global, especialmente para o Sul Global.
Com Kamala Harris, pode surgir a ilusão de mudança. Existe um sussurro de esperança de que, sob sua liderança, algo poderia ser diferente. Entretanto, a dura realidade é que a resposta é um claro “não”. A dinâmica da geopolítica se revela complexa e, muitas vezes, cruel. O poder do dólar e a eficácia das sanções se ampliam sob qualquer administração, inclusive a dos democratas. Assim, nos deparamos com uma escolha entre o uso hipócrita das instituições ocidentais ou sua negação completa. Essa escolha se traduz em narrativas e acordos que perpetuam a política de “chutar a escada” do Sul Global.
Internamente, as pautas progressistas de direitos das minorias podem oferecer algumas vantagens, mas essas benesses são exclusivas para os interesses estadunidenses. As alianças que as direitas do Sul Global mantêm com o trumpismo se fortalecem através do discurso de uma “onda de direita”. Nesse cenário, a esquerda do Sul Global não encontra motivos para apoiar qualquer um dos lados dessa disputa. Não há razões válidas para se sentir compelido a apoiar uma das opções, mesmo como um gesto de esperança em busca de uma esquerda anti-imperialista nos Estados Unidos.
O apoio incondicional a um lado ou outro, sob a premissa de que isso poderia levar a uma mudança significativa, ignora as lições da história. A realidade é que tanto Trump quanto Kamala Harris, de formas diferentes, perpetuam um sistema que não serve ao bem comum, mas sim aos interesses do imperialismo estadunidense. Assim, o Sul Global deve se questionar: como podemos construir uma alternativa que desafie esse status?
É crucial que as vozes do Sul Global se unam, construindo uma frente sólida que não se limite a esperar por mudanças que, na melhor das hipóteses, se revelam superficiais. A verdadeira transformação requer um movimento coletivo, forte e consciente, que busque não apenas reformar, mas desmantelar as estruturas de opressão que caracterizam a política imperialista dos EUA.
A luta contra o imperialismo é uma tarefa contínua e exige uma análise crítica das dinâmicas de poder, não apenas no contexto dos Estados Unidos, mas em toda a geopolítica global. É hora de nos libertarmos das ilusões e encararmos a realidade: o futuro que desejamos deve ser construído a partir de uma base sólida de solidariedade e resistência.
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